sábado, 15 de novembro de 2014

arranhar a superfície névoa
como quem quer trepar
neste muro que divide o limiar do dia
e decola.

ele cede - vai abrindo de par em par
seus desfeitos
e na respiração mais dilatada
encosta seu desejo,
o aquieta se é possível.

mas se não for
o inconcílio escuta a realidade de sons
isolados
as coisas postas de fio a pavio
as outras mais circundantes que antes
o corpo mais pernas que pedra

então, vão se desfiando em muitas linhas
o cansaço e as pálpebras
teus anseios e os meus
formando agora uma muralha
que nenhum salto alcança.

risca o outro lado,
para ver se acende,
mas ninguém sabe
como este fogo se ateia
como se aprende o desprevenido

ou amassa involuntariedades.